MCP pretende construir mais de mil casas e comercializar 500 toneladas de sementes
MCP pretende construir mais de mil casas e comercializar 500 toneladas de sementes
Os projetos estão em andamento. “Existem as políticas do governo, mas até chegarem às famílias, que realmente necessitam, existe um longo caminho. O MCP tem ajudado as famílias a se organizarem e a terem mais renda”, diz Ferreira
O Movimento Camponês Popular (MCP) iniciou os debates sobre mais um projeto Moradia Camponês Meio Rural e sobre a comercialização de 500 toneladas de sementes crioulas, que serão compradas pelo Governo Federal e distribuídas para famílias carentes do Brasil.
“Visando à segunda etapa do projeto Moradia Camponesa, o MCP realiza várias assembléias nos municípios e organiza os grupos de base. Agora o MCP chegou a alguns municípios que ainda não atuava como Piracanjuba, Morrinhos, Silvânia, Pires do Rio, entre outros”, explicou Wender Antonio Ferreira, membro da diretoria do MCP.
Segundo ele, o trabalho do movimento ganhou visibilidade, pois o projeto é reconhecido como o melhor do Brasil. “O MCP irá concorrer, nesse semestre, o premio de melhor projeto do mundo, em Dubai. Já estar entre os melhores do mundo traz motivação ao movimento e as famílias”.
Na opinião de Ferreira, a moradia é importante porque oferece bem estar e aconchego as famílias, além de ajudar na permanência da terra. “Não debatemos somente a moradia, mas a infra-estrutura para que os agricultores tenham qualidade de vida e renda”.
De acordo com Ferreira, 700 famílias já foram beneficiadas no Estado de Goiás. “Em 2012, pretendemos fazer de 1.500 a duas mil casas. O MCP criou cartilhas que ensinam como arrumar a documentação nos grupos de base. A idéia é fazer com que os documentos cheguem até a sede do Movimento o mais rápido possível para que possamos montar e mandar o projeto para a CEF, que analisa individualmente cada beneficiário”.
O MCP espera iniciar as próximas construções de moradias no Estado a partir de julho, informa Ferreira. “Na região de Catalão pretendemos fazer de 380 a 400 moradias, mas esse número pode aumentar, pois a demanda é grande. Sabemos que o déficit habitacional no Estado é de quase 55 mil unidades, e aqui, não é diferente. Hoje o campo está praticamente abandonado, pois faltam políticas públicas e incentivo dos governos federal, estadual e municipal”.
A novidade é o aumento do recurso financeiro para a construção de casas, que passou de R$ 21 mil para R$ 34 mil. “Para a reforma, o recurso aumentou de R$ 16.600,00 para R$ 20 mil. Os interessados devem participar das assembléias realizadas nos municípios pelo MCP. Mais informações sobre as reuniões podem ser obtidas na sede do Movimento. As inscrições são feitas nas comunidades rurais e quem escolhe os beneficiados são os grupos de base organizados dentro do Movimento”.
E completa: “Os locais que não tem organização, o MCP vai lá, faz o debate e expõe a proposta para o meio rural. Depois, os agricultores organizam os grupos de base e escolhem os beneficiários de acordo com determinados critérios porque não é qualquer pessoa que pode se beneficiar. Eles observam quem necessita da casa, quem se enquadra dentro da agricultura familiar, se moram e produzem na terra, entre outros”.
Outro debate em andamento diz respeito à produção, já que a colheita do milho está sendo feita novamente. “Fechamos um convenio com o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate a Fome (MDS) e com a Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) para comercializar 500 toneladas de sementes crioulas, que serão doados para as famílias carentes do Brasil. A presidente Dilma Rousseff nos recebeu no Planalto e lançou a proposta. Vamos doar para pessoas que ainda não tem acesso aos meios de produção. A semente é o principio de tudo”.
Segundo Ferreira, esse tipo de comercialização traz muito dinheiro para os camponeses. “Em 2011, comercializamos 55 toneladas e as famílias que produziram as sementes lucraram mais de R$ 200 mil. Com essas 500 toneladas, esperamos receber mais de R$ 1 milhão. Esse convênio gera renda e qualidade de vida para os camponeses”.
De acordo com Ferreira, os dois projetos estão a todo vapor. “O movimento realiza reuniões e debates para que tudo possa sair dentro do planejado. Os interessados em se organizar devem procurar a sede do MCP”.
Por: Luciana Ventura








